2009 - Brawn surpreende


A temporada 2008 mal tinha acabado e as perguntas em torno da sobrevivência da Fórmula 1 em tempos de crise econômica mundial se proliferaram. Corridas, como o Grande Prêmio da França, foram canceladas; equipes anunciaram cortes; e a escuderia Honda foi além: fechou as portas. De imediato, essa informação afetou diretamente o destino de dois pilotos brasileiros: Rubens Barrichello, que formava dupla com Jenson Button no time desde 2006; e Bruno Senna, em testes na busca por uma vaga na Fórmula 1 em 2009.

Somente no final de fevereiro, a situação da antiga escuderia japonesa foi resolvida, com o anúncio de que Ross Brawn, ex-diretor técnico da Honda, iria comprar o que sobrara da equipe. No dia 06 de março, nascia oficialmente a Brawn GP, faltando apenas 23 dias para a primeira corrida do ano. Sem grandes patrocinadores e mantendo seus pilotos de 2008, a Brawn GP causou espantos já nos testes do final da pré-temporada graças ao seu difusor “diferenciado”.

É certo que o carro já vinha sendo trabalhado por Ross Brawn e equipe desde meados da temporada anterior, mas a surpresa foi grande quando as duas Brawns dividiram a primeira fila e fizeram a primeira dobradinha da equipe já na primeira prova do ano. O que parecia um milagre – ou por que não dizer sorte de “principiante”? – voltou a se repetir durante praticamente toda a primeira metade do campeonato. Nas sete primeiras corridas, Button chegou na frente em seis delas e foi segundo em outra.

Até quando o dilúvio que caiu na Malásia encerrou a prova mais cedo, era o inglês quem estava liderando. Resultado: em sete Grandes Prêmios disputados, Button já tinha 61 pontos – 26 a mais que o segundo colocado, Rubens Barrichello. Seria possível perder o título com tamanha superioridade?, todos se perguntavam.

Ninguém acreditava muito nisso, mas quando Button começou a administrar sua vantagem, Barrichello e Sebastian Vettel viram ali uma oportunidade para se insinuarem em um possível duelo com o inglês. Isso acabou levando emoção à outrora condenada ao marasmo de vitórias de Button, segunda metade do campeonato. O curioso é que a supremacia do inglês começou a diminuir a partir do GP da Inglaterra, em Silverstone. Daquela oitava corrida até a última, em Abu Dhabi, Button não venceu mais nenhum Grande Prêmio.

Na soma dos pontos, o inglês conseguiu marcar 34, enquanto Barrichello acumulou 42 e Vettel fez 50 pontos. A diferença, no entanto, só determinou quem seria o vice-campeão (Vettel), pois foi insuficiente para tirar o troféu de campeão das mãos de Button. Pelo segundo ano consecutivo, um dos súditos da Rainha conquistava o título do Mundial de Pilotos de Fórmula 1. E, mais uma vez, no circuito de Interlagos, no Brasil. Desde 2006, a vantagem do campeão não passava de um ponto.

Por falar em Brasil, 2009 foi um ano de emoções completamente distintas para os três pilotos brasileiros que disputaram a temporada. Apesar de ter terminado em 3º lugar na classificação geral, Barrichello deu a volta por cima, voltou a vencer e terminou o campeonato em alta. Já Felipe Massa, que começou o ano ainda com o gosto amargo de ter perdido o campeonato de 2008 por um ponto, em casa, e a poucos metros da última volta na última corrida, viveu uma temporada para esquecer em 2009.

A Ferrari, como quase todas as demais equipes, ficou para trás por não saber adaptar o carro ao regulamento (leia-se difusores) e o brasileiro só conseguiu marcar 22 pontos. O pior ainda estava por vir. No final da segunda parte do treino de classificação para o GP da Hungria, uma mola se soltou do carro de Barrichello e atingiu a cabeça de Felipe Massa, quando este passava pela curva 4 do circuito de Hungaroring. O piloto perdeu a consciência e se chocou contra a barreira de pneus. Socorrido de helicóptero para o hospital mais próximo e liberado alguns dias depois, Felipe não teve autorização médica para voltar às pistas de Fórmula 1 pelo restante da temporada.

Para substituí-lo, a Ferrari alçou Luca Badoer à categoria de piloto principal. Depois de dois vexames seguidos, quando largou nos GPs da Europa e da Bélgica e de ter feito duas provas lamentáveis, com um abandono e um último lugar, a escuderia contratou o italiano Giancarlo Fisichella para correr no lugar de Massa durante as cinco provas restantes. Fisichella, que conquistara uma surpreendente pole position na Bélgica com sua Force India, não ajudou muito. Fisichella só conseguiu terminar entre os 10 primeiros duas vezes!!! Com uma Ferrari!!!

Mais bisonha, deprimente e deplorável que isso, só mesmo a situação vivida por Nelsinho Piquet na e com a Renault.

Desde que chegou na Fórmula 1, o filho do tricampeão pareceu sempre estar com o emprego ameaçado. Tanto é verdade que Nelsinho atribuiu ao medo de ficar desempregado o seu “sim” à proposta de Nick Fry e de Flávio Briatore no GP de Cingapura de 2008 para que provocasse uma batida em um ponto tal, para que a corrida fosse interrompida e assim beneficiar seu companheiro de equipe, Fernando Alonso. A confirmação sacudiu a Fórmula 1, enterrou de vez a permanência de Nelsinho na categoria e jogou na lama o sobrenome da família.

A relação do brasileiro com seu chefe e empresário (Briatore), que já não era boa, azedou de vez. Nos bastidores, Piquet pai e filho negociaram a delação premiada caso Nelsinho entregasse os demais responsáveis pela falcatrua. Quando contou sua versão do fato à FIA em setembro, o filho do tricampeão já tinha sido demitido da Renault mas acabou não sendo punido pela Federação Internacional de Automobilismo. Briatore não teve a mesma “sorte” e foi banido tanto da F1 como de outras categorias organizadas pela FIA; Nick Fry teve uma pena mais branda.

Já Nelsinho, mal visto pelos demais pilotos depois da confissão, não conseguiu arrumar uma vaga para voltar à F1 e parece ter vivido seu último GP na Hungria. Uma passagem patética para quem leva no sangue a herança de um tricampeão do mundo e um capítulo pavoroso em um ano onde a pior equipe e o pior piloto de 2008 ressurgiram das cinzas e consagraram-se campeões em 2009.

 

Jenson Button

Classificação Final

 

 

 

 

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