A carreira na Fórmula 1 e a busca pela segurança dos pilotos

 

Jackie Stewart poderia ter estreado na Fórmula 1 no início dos anos 60, no entanto aguardou até sentir que estava pronto para poder ingressar na categoria. Isto só ocorreu no dia 1º de janeiro de 1965, no GP da África do Sul. Piloto da BRM, tinha como companheiro de equipe o veterano Graham Hill (já campeão em 1962 e presente na categoria desde 1958).

Já na sua primeira corrida, Stewart marcou os primeiros de seus 360 pontos graças ao sexto lugar em East London. Em seu oitavo GP, venceu a primeira prova, em Monza. Terminou o ano de estreia com 33 pontos, tendo ainda abandonado três das 10 corridas, chegado uma vez em sexto lugar, uma vez em quinto e em terceiro e três vezes em segundo. O novato acabava, assim, na terceira colocação o Mundial de Pilotos vencido por Jim Clark.

Seu segundo ano na Fórmula 1 não foi fácil. Apesar de parecer promissor com a vitória em Monte Carlo logo na abertura do campeonato, 1966 foi de problemas para Jackie Stewart. Em nove provas, abandonou cinco vezes e um acidente na Bélgica, segunda etapa da temporada, acabou despertando no escocês a necessidade de buscar meios de garantir a segurança dos pilotos.

Stewart viu-se preso por 25 minutos no carro coberto de combustível. Os comissários não tinham ferramentas para tirá-lo de lá e somente com a ajuda de Graham Hill e Bob Bondurant conseguiu ver-se livre. Por conta da demora no atendimento e a lentidão no transporte até um hospital (a ambulância se perdeu no meio do caminho), o escocês decidiu levar seu médico particular para as corridas seguintes. Por sua vez, a BRM providenciou um caminhão médico em prol de toda a equipe.

Durante o ano, Stewart só conseguiu terminar (além do GP de Mônaco) a prova na Holanda (em 4º) e na Alemanha (em 5º). Somou apenas 14 pontos e foi o sétimo no Mundial de Pilotos.

Em 1967, a situação complicou de vez na BRM. Das 11 provas disputadas, ele só conseguiu cruzar a linha de chegada duas vezes – foi o segundo na Bélgica e o terceiro na França. Com tais resultados, registrou 10 pontos e desabou para a nona colocação ao fim daquele Mundial. Chegara a hora de trocar de equipe e o escocês foi parar na Matra movida pelos motores Cosworth.

Durante dois anos, o sucesso vivido pelo piloto foi praticamente total. Em 1968, duelou com Graham Hill ponto a ponto pelo campeonato. Um abandono logo na abertura, na África do Sul, e a ausência nos dois GPs seguintes (Espanha e Mônaco) por conta de um acidente sofrido enquanto disputava provas pela F2 o prejudicaram na briga pelo título. Talvez por isso tenha perdido o campeonato para o inglês por apenas dois pontos de diferença.

Em 1969, Stewart foi arrasador. Conquistou seis vitórias em 11 corridas (África do Sul, Espanha, Holanda, França, Inglaterra e Itália), marcando 63 pontos – 26 a mais que Jack Ickx – e tornou-se campeão da Fórmula 1 pela primeira vez. Em 1970, Stewart trocou de equipe novamente. No ano de estreia na Tyrrell, o piloto penou. Com oito abandonos, um 9º, um 3º e dois 2º lugares e apenas uma vitória, a chance do bicampeonato se concretizar sumiu. Foi o 5º no Mundial de Pilotos, com 25 pontos apenas, pouco mais de um terço daqueles obtidos um ano antes.

Na temporada seguinte, Stewart voltou a ter condições de lutar pelo título. Seu principal oponente foi Ronnie Peterson, da March, mas mesmo assim o sueco não se mostrou páreo para o escocês. O bicampeonato veio graças a uma campanha marcada por seis vitórias, um pódio em segundo lugar, uma quinta colocação, uma 11ª posição e apenas dois abandonos. Ao final, acumulou 62 pontos contra 33 de Peterson. O triunfo do piloto fez com que a Rainha Elizabeth o condecorasse com a Ordem do Império Britânico (OBE), o que significa dizer que Stewart tornava-se ali Sir.

Em 1972, uma úlcera levou Jackie a cogitar a aposentadoria. No entanto, ele seguiu em frente por mais duas temporadas. Sua decisão proporcionou uma das mais espetaculares rivalidades nas pistas da Fórmula 1 com Emerson Fittipaldi. Na primeira, o brasileiro se saiu melhor e conquistou o Mundial de Pilotos por uma margem de 16 pontos.

Porém, em 1973, a história teve um desfecho diferente. Além de bater o recorde de 25 vitórias na categoria que pertencia a Jim Clark, Stewart conquistou o tri com a mesma diferença de pontos do ano anterior. Para ele, aquilo já foi suficiente para decidir que estava na hora de parar e o escocês deu por encerrada sua carreira na Fórmula 1.

Como legado para a categoria, Stewart lutou por melhores condições de segurança para os pilotos, como melhores barreiras de proteção ao redor da pista e a disponibilização de serviços de emergência. “Nós corríamos em circuitos onde não havia sequer barreira de segurança em frente aos pits, onde ficava uma grande quantidade de combustível e se acontecesse um acidente ali seria uma tragédia”, revelou certa vez.

Sua atuação incisiva nesta área gerou desagrado entre organizadores de provas, donos de circuitos, parte da imprensa e até mesmo alguns pilotos. Algumas pessoas chegaram a insinuar que ele era medroso. Stewart defendeu-se dizendo: “Eu teria sido um Campeão do Mundo mais popular neste meio se eu sempre tivesse dito o que as pessoas queriam ouvir”, avaliou, “provavelmente, eu teria morrido, mas seria mais popular”, concluiu.

Muitas das coisas pelas quais lutou tornaram-se realidade na Fórmula 1 e ninguém mais concebe conceber a realização de uma corrida sem algum desses itens.

 

 


 

 

 

 

 

 

Crédito das fotos: NNDB, GP Total, Grandprix

Biografia do tricampeão
Stewart, a escuderia

 

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