Vodafone McLaren Mercedes

Há 12 anos sem vencer o Campeonato Mundial de Construtores, a McLaren dar início a sua 44ª temporada com os dois campeões das últimas temporadas em seus cockpits: Lewis Hamilton (2008) e Jenson Button (2009). A equipe que ficou na memória e no coração dos brasileiros pelo tricampeonato de Ayrton Senna foi fundada em 1963 pelo piloto neozelandês Bruce McLaren, com o nome de “McLaren Motor Racing Limited”. Três anos depois, aconteceu a corrida de estréia na Fórmula 1, em Mônaco, com um carro pilotado pelo próprio Bruce. Um vazamento de óleo impediu que ele chegasse ao final da prova, mas uma história de vitórias começava a ser escrita em Monte Carlo.  Os campeonatos de 1966 e 1967 foram disputados com apenas um carro, com Bruce ao volante.

Paralelamente, o piloto disputava o campeonato Cam Am, com Dennis Hulme como companheiro de equipe; a dupla venceu cinco das seis corridas da temporada. Em 1968, Hulme se juntou ao neozelandês na F1 e o sucesso começou a chegar. Bruce venceu a Corrida dos Campeões, em Brands Hatch, e Hulme conquistou os GPs da Itália e do Canadá.  A equipe teria que esperar até a última corrida da temporada de 1969 por outra vitória na F1, quando Hulme venceu o GP do México. No Cam Am, os resultados eram impressionantes – a equipe venceu todas as onze corridas, e Bruce conquistou o campeonato de pilotos com seis vitórias.

A década de 70 começaria muito mal para a McLaren. Pela primeira vez disputando as 500 Milhas de Indianápolis, a equipe viu Dennis Hulme envolvido em um acidente nos treinos e seu substituto, Peter Revson, abandonou a prova. Em 2 de junho de 1970, Bruce McLaren morreu em um acidente testando o novo carro Can Am em Goodwood. Seu sócio, Teddy Mayer, assumiu o controle da equipe. 1974 foi o ano dourado da equipe inglesa. Teddy Mayer contratou o brasileiro Emerson Fittipaldi, e com ele conquistou o primeiro campeonato de construtores na F1, juntamente com o título de pilotos para Fittipaldi e a primeira vitória nas 500 Milhas de Indianápolis com Johnny Rutherford.

Também foi em 1974 que a popular marca de cigarros Marlboro começou a patrocinar a equipe, que ficaria conhecida pelas cores vermelha e branca. Fittipaldi conquistou o vice-campeonato em 1975, e em seguida deixou a McLaren para realizar um sonho: formar sua própria escuderia, a Copersucar, a primeira brasileira na F1. Seu substituto, James Hunt, conquistou o título em 1976, enquanto Rutherford vencia novamente as 500 Milhas; pela primeira vez uma equipe conquistava o título da Fórmula 1 e Indianápolis no mesmo ano, duas vezes.

O final da década de 70 marcou o final do envolvimento da equipe com o automobilismo americano. Em 1981, a equipe de Fórmula 2 Project Four, do britânico Ron Dennis, se fundiu à McLaren, o que forçou Teddy Mayer a ceder o controle da equipe. Com a chegada de Dennis, a equipe viveria sua época de maior sucesso. O projetista John Barnard desenvolveu o revolucionário McLaren MP4/2, o primeiro carro feito inteiramente de compostos de fibra de carbono, aliado ao poderoso motor TAG Porsche. Niki Lauda, Keke Rosberg e Stefan Johansson são alguns dos nomes que passaram pela equipe neste período de transição, que culminaria no título de Lauda em 84 e no primeiro campeonato do francês Alain Prost, em 85. A equipe levantou o troféu de construtores nas duas ocasiões. Depois de perder o título de construtores para a Williams em 86 e 87 (embora Prost tenha conquistado o bicampeonato em 86), a equipe conseguiu dois trunfos importantes: a contratação do brasileiro Ayrton Senna e o motor Honda.

Em 1988, o mundo do automobilismo parou pra ver a McLaren. A equipe venceu 15 das 16 provas do ano, e do total de voltas disputadas na temporada, apenas 25 não foram lideradas por Prost ou Senna, um recorde até hoje não superado. Senna conquistou o primeiro título e Prost, o vice-campeonato. No final de 1989, os papéis se inverteriam em uma manobra questionável de Prost no GP do Japão, quando as duas McLarens colidiram. Depois do incidente, os dois pilotos iniciaram uma guerra interna que se tornaria célebre também nas pistas. Prost deixou a McLaren em 1990 e se juntou à Ferrari. O austríaco Gerhard Berger passou a ser o companheiro de equipe de Senna, que conquistou o tricampeonato com os títulos de 90 e 91, dando à equipe o título de construtores nas duas ocasiões.

92 e 93 foram anos dificílimos para a equipe, que viu a competitividade da Williams crescer com o motor Renault e a saída da Honda da Fórmula 1 no final do ano. Em 93, Michael Andretti, bem-sucedido no automobilismo americano, assumiu o lugar de Berger e foi um completo desastre. Seu desempenho foi tão desastroso que acabou sendo demitido, substituído pelo jovem finlandês Mika Häkkinen. Uma oferta irrecusável da Williams levou Senna a deixar a McLaren, e o inglês Martin Brundle se juntou a Häkkinen no desenvolvimento do novo carro, com motor Peugeot. Os anos de 94, 95 e 96 também seriam turbulentos para Ron Dennis. O motor Peugeot foi descartado depois de uma temporada, e a equipe fechou contrato com a Mercedes. O campeão Nigel Mansell foi contratado para a temporada de 95, mas a exemplo de Andretti, foi um fiasco – nem sequer conseguia entrar no carro a princípio.

Depois de duas provas, o inglês Mark Blundell assumiu seu lugar, sendo mais tarde substituído pelo escocês David Coulthard. Em 1996, o vermelho e branco da Marlboro cedeu lugar ao cinza e prata do novo patrocinador, a companhia de cigarros West, e a beleza do novo carro deu à McLaren o apelido de “flecha de prata”.  Häkkinen e Coutlhard trabalharam duro no desenvolvimento do carro enquanto a Williams dominava as pistas em 97. Durante aquele ano, Ron Dennis conseguiu convencer o projetista da Williams, Adrian Newey, a ir para a McLaren em 98. Com dois pilotos talentosos e um carro competitivo, a equipe voltava ao alto do pódio: nove vitórias, o campeonato de construtores e o título de pilotos para Häkkinen, que repetiu o feito em 99.

De 2000 a 2006, a equipe acabou demonstrando um desempenho irregular, principalmente por causa da falta de confiabilidade do motor Mercedes – potente, mas sem resistência. Neste período, ela foi a segunda colocada em três temporadas (2000, 2001 e 2005); chegou em terceiro lugar em outras três oportunidades (2002, 2003 e 2006) e, em 2004, não passou da quinta posição no Mundial dos Construtores – fato que não ocorria desde 1983. Em seus cockpits houve mudança de pilotos. Em 2002, o bicampeão Mika Häkkinen decidiu se aposentar e foi substituído pelo compatriota Kimi Raikkönen. O colombiano Juan Pablo Montoya, bicampeão de Indianápolis - que ocupou o lugar deixado por Coulthard em 2005, seria outra vítima da “maldição Andretti” e, apesar das altas expectativas, não conseguiu alcançar o desempenho do finlandês, abandonando a F1 pela Nascar em 2006. 

Mas foi em 2007 que a equipe viveu sua mais importante temporada neste século. O time de Woking contratou o bicampeão espanhol Fernando Alonso e promoveu a estréia do inglês Lewis Hamilton, piloto de seu Programa de Desenvolvimento desde que era adolescente. Renovada, a escuderia mostrou-se forte concorrente ao longo de todo o ano, no entanto, passou a enfrentar problema de relacionamento entre suas estrelas quando o estreante passou a brilhar tanto quanto o bicampeão. Além da crise entre seus pilotos, a McLaren foi acusada de espionagem quando um de seus funcionários teve acesso a informações restritas da Ferrari.

O caso se arrastou por toda a temporada e a equipe chegou a ser inocentada em uma primeira audiência no mês de julho, porém novas provas surgiram (e-mails trocados entre os compatriotas Alonso e Pedro de la Rosa, piloto de testes da escuderia). Em uma nova audiência ocorrida em setembro, o time comandado por Ron Dennis perdeu todos os pontos obtidos durante a temporada e ficou impossibilitado de acumular aqueles que conquistasse nas pistas das etapas seguintes do Mundial. Como “consolo” tinha quase como certa a decisão do título entre seus pilotos, contudo a inexperiência de Hamilton falou mais alto e o piloto da escuderia italiana Kimi Raikkonen levou para casa o troféu de campeão de 2007.

Sem clima na equipe depois de ter ouvido seu chefe dizer em público que tinha preferências por Lewis, Alonso e McLaren anunciaram o rompimento do contrato pouco depois da temporada. Para 2008, a escuderia manteve Hamilton e contratou o finlandês Heikki Kovalainen e tentará recuperar a boa imagem enquanto lida com o crescente o número de boatos que dão conta da saída do chefão Ron Dennis do comando da equipe.

Sem Fernando Alonso para “atrapalhar”, Ron Dennis realizou o sonho de tornar seu pupilo Lewis Hamilton o campeão da temporada 2008. Contudo, o rendimento de Kovalainen ficou abaixo do esperado e a equipe mais uma vez adiou a conquista de um título que não ganha desde 1998. Em 2009, a situação piorou. Ron Dennis saiu do comando da escuderia, apenas duas vitórias foram contabilizadas para a história da equipe, que não conseguiu ser páreo para a superioridade da Brawn GP e acabou o Mundial de Construtores na terceira colocação, com 71 pontos, uma desvantagem de mais de 100 pontos (mais precisamente 101) para a campeã, 82,5 atrás da segunda colocada (Red Bull) e apenas um ponto à frente da quarta colocada, a Ferrari.

 

Vodafone McLaren Mercedes
Site Oficial: www.mclaren.co.uk
Pilotos 2010: Jenson Button e Lewis Hamilton
Piloto de teste: Gary Paffett
Modelo 2010: McLaren MP4-25
Motor: Mercedes-Benz FO 208X

Pneus: Bridgestone
GPs Disputados: 666

Pole Positions: 145
Vitórias: 164

Voltas mais Rapidas: 137
Mundial de Construtores: 8
Mundial de Pilotos: 12

 

 

 

 

 

 

Crédito das imagens: Divulgação, LAT e Reuters. um.

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